Arquivo para Julho, 2007

É galera, esse Jobim tem que ter mais talento que o “Tom”

É… Missão ingrata que caiu nas mãos do Jobim… Ser o novo ministro da Defesa da República Federativa do Brasil. Realmente acredito que ele vai precisar de muito mais talento que o saudoso Tom Jobim.

Além de pegar o ministério no meio de uma “crise aérea”, que está sendo fenomenalmente ampliada pela mídia, vai pegar as Forças Armadas com capacidade de atuação diminuída devido ao sucateamento dos seus aparelhos.

A solução da Crise aérea vai demandar verbas extras e pulso forte no comando… Se eu fosse o ministro, devolveria o controle de tráfego todo para a FAB, pois não há estrutura para separação dos controles civis e militares… Não existiriam radares suficientes, o investimento seria muito maior. Já que não há estrutura para duas redes de controle,  a rede mista será eficiente assim: Todo o controle aéreo nas mãos da FAB, toda infraestrutura aeroportuária nas mãos da Infraero, e toda a questão de legislação e controle da qualidade e abusos das empresas de aviação nas mãos da ANAC, sem ninguém se metendo na tarefa dos outros, a não ser a cúpula do ministério que iria coordenar todas as atividades.

Mas o maior desafio, é o reaparelhamento das Forças Armadas. Desde o início da década de 90, o orçamento vem diminuído, chegando a faltar até comida nos quartéis no ano de 2003 se não me falha a memória. Nesse tempo, o Exército deixou de comprar o EE-T1 Osório, o carro de combate fabricado pela Engesa no Brasil, e que venceu concorrências no exterior, superando o M1 Abrams americano. Como não foi comprado, a Engesa faliu. Aliás a indústria de Defesa brasileira está entregue as moscas, pois as forças armadas não tem dinheiro para investir em compras. Hoje o Exército compra tanques alemães Leopard 1, usados, da década de 70. Os Fuzis são antigos, faltam equipamentos de GPS, rádios, radares, projetos de mísseis nacionais não avançam por falta de dinheiro e outras mil coisas… Na Marinha, os navios mais modernos, as Fragatas “type 22″ compradas da Inglaterra estão encostadas, devido a falta de manutenção nos navios, com sistemas inoperantes. Os aviões comprados para o Porta aviões São Paulo continuam sem radar, se houvesse a verba adequada, já teríamos um submarino nuclear faz tempo… E essa sim, é uma arma que coloca medo em qualquer Marinha, visto que não há meios seguros de se detectar e destruir um submarino… Na FAB a situação não é diferente, embora os pilotos sejam extremamente profissionais, os meios que a FAB dispõe são insuficientes para garantir nossa soberania. Com a modernização dos antigos F-5, feita pela Embraer juntamente a uma empresa Israelense, a FAB passou a operar mísseis BVR (além do alcance visual) e a operar com  o Datalink.

F-5M

 Os F-5 operando com os aviões de alerta aéreo antecipado, permitiram a FAB operar no conceito da “guerra centrada em redes”, o método mais moderno no mundo, sendo a 3ª força aérea do mundo a atingir tal conceito, isso demonstra o profissionalismo da equipe da FAB. Mas isso não basta, face as aquisições de armamento de outros países da américa do Sul.

A venezuela, comprou o mais temido caça da atualidade, o Sukhoi Su-30, um desses pode abater 8 caças brasileiros antes que nós possamos os detectar… Vai comprar blindados russos, e comprou 100.000 fuzis novos. O Chile comprou mais de 200 tanques Leopard 2, o mais moderno do mundo; comprou caças F-16. O Peru há tempos opera Mirages 2000 e Mig 29.

Su-30MK2 O monstro venezuelano

Com essa falta de verbas crônica, o Brasil deixou de ser o líder militar na região. E o grande desafio, de reaparelhar as Forças Armadas, é convencer o povo de que precisamos de armas… Tarefa difícil de conseguir…

E tarefa impossível, é o Brasil de Lula conseguir a tão almejada reforma no conselho de segurança da ONU, e ainda entrar como membro permanente, com as Forças Armadas desatualizadas…

Para que tudo se resolva, só falta uma coisa, aumentar as verbas da Defesa, e todos esses problemas vão acabar… É só o governo levar o ministério a sério!

Hoje conheci um Herói! Pena que esquecemos deles…

Hoje quando peguei o ônibus para o trabalho, bem cedo, logo comecei a resmungar: Que dia chato, que droga de trabalho, que chefe chato… E de repente, no ponto de ônibus no centro da cidade, todo mundo descendo da “lata de sardinha”, e me chamou a atenção de um senhor, bem moreno, de calça social, camisa xadrez, e um chapéu, aparentando seus 80 e poucos anos,  pacientemente de pé, numa postura ereta, digna de um jovem em plena forma, esperando todos os passageiros descerem do ônibus para subir. Vi também que ele tinha um broche na lapela da camisa.

Quando ele subiu, e sentou-se naqueles bancos mais altos do ônibus, ficou com os pés balançando, uma postura despojada que muito me fez lembrar fotos de soldados em caminhões de transporte de infantaria, em deslocamentos para a retaguarda, onde os soldados estão mais “relaxados”… Associei essa postura, a postura da entrada do ônibus, e o broche, logo pensei: É ex combatente!

Como admirador e historiador, fissurado na participação brasileira na segunda guerra mundial, tratei de logo aproveitar o momento para um breve papo…

Fiquei em pé ao lado dele, e logo dei os parabéns para ele: Senhor, bom dia, parabéns! Fizeram muito bonito na Itália! E aquele senhor, de semblante sério, abriu um sorriso de orelha a orelha, e ficou com os olhos lacrimejantes… Nem vou comentar sobre o breve papo…

Desembarque em Nápoles

Mas, nossos ex-combatentes, que deram duro na Itália, já estão em “fim de carreira”, restando muito poucos vivos. Por que, nós, nunca demos valor aos nossos heróis? Por que nunca celebramos as suas vitórias?

Tento me colocar no lugar deste senhor, com seus 19 anos, com uma carta chegando em sua casa, com dizeres bem simples , e uma única ordem: Apresente-se para seleção, você foi convocado para a Guerra! E não foi uma guerra qualquer, foi a maior guerra que este mundo já viu… Tento me colocar novamente no lugar dele, no desembarque em solo italiano, sem treinamento, com fardamento de péssima qualidade, levando cusparadas dos italianos que confundiram os brasileiros com prisioneiros nazistas… Tento me colocar no lugar dele aturando as humilhações a que estes homens se submetiam ao comando americano, ao preconceito que sofreram… Tento me colocar no lugar deste senhor, tendo que aprender a lutar, sob fogo de um inimigo veterano do front russo, o mais sanguinário da guerra, jovens que uma semana antes atiraram pela primeira vez com as armas americanas, enfrentando um inimigo fatigado, mas profissional da guerra… Tento me colocar no lugar deste senhor, quando ele esteve nos combates em Monte Castelo, onde sofremos duras derrotas, em Camaiore, na conquista da Cidade de Montese, um feito heróico, somente a divisão brasileira conseguiu tomar uma cidade italiana da maneira como Montese foi tomada naquele dia, nos dias seguintes, os alemães jogaram mais bombas nos Brasileiros em Montese, do que no resto da Itália toda! Tento me colocar no lugar deste senhor, vendo amigos estraçalhados por minas, granadas, pelas “lurdinhas”, as temidas metralhadoras MG-42 (são tão boas, que são usadas até hoje no exército alemão)… Tento me colocar no lugar dele, nos momentos de tensão, no fox holes (trincheiras para 2 pessoas), naquele frio de 40 graus abaixo de zero, sendo bombardeado, ouvindo o sibilar das balas de fuzis inimigos passando sobre sua cabeça, do terrível pé de trincheira, que fazia os pés apodrecerem no frio… Tento me colocar no lugar deste senhor passando fome, comendo o que tivesse, ficando as vezes 3 meses sem tomar banho devido aos combates incessantes, ouvi relatos de soldados que comeram ratos com mel nos fox holes! Tento me colocar no lugar destes homens, quando da chegada da Força Expedicionária no retorno ao Rio de Janeiro, tendo que tirar a farda 3 dias depois de tocar o solo brasileiro, sendo proibidos de usar a farda que defenderam!

Patrulha liderada pelo Sgt. Max Wolff Filho

Quando penso nisso, não consigo compreender como esses homens sobreviveram a tamanhas provações, antes, durante, e depois da guerra! E quando tento me colocar no lugar desses homens na pior das situações, eu não consigo, pois o crime mais hediondo cometido a estes 25 mil homens, foi o esquecimento, a negligência, e a difamação que sofreram no país que defenderam, e pelo qual muitos morreram na sua juventude… Quando vemos como foram tratados os nossos heróis, sem pensão do exército, sem tratamento psicológico, sem apoio de qualquer tipo, sem profissão, exluídos da sociedade industrial que nasceu no país, começo a entender porque o nosso país anda tão mal das pernas… Se não cuidamos nem dos nossos heróis? Do povo comum então…

Por isso, peço um favor a todos os que lerem este pequeno desabafo… Quando ver um homem, com o emblema da Cobra fumando (pois é, diziam que era mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil ir à Guerra, então a cobra fumou), pelo amor de Deus, exalte esse homem. Dê a ele, um alento no fim de sua vida, faça o sorrir e pela primeira vez sentir orgulho de ter oferecido a vida em sacrifício da defesa da pátria!

Abraços Galera…


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