Falando sobre cotidiano denovo…

Bem, no último post falei aqui da minha indignação contra a Micareta, que demonstra como a nossa sociedade foi transformada e a que ponto acabamos chegando… Vou continuar neste assunto, pois essa discussão muito me agrada…

Hoje vou colocar aqui a letra de uma música dos Engenheiros:

Muros e Grades – Engenheiros do Hawaii

Composição: Humberto Gessinger – Augusto Licks

Nas grandes cidades, no pequeno dia-a-dia
O medo nos leva tudo, sobretudo a fantasia
Então erguemos muros que nos dão a garantia
De que morreremos cheios de uma vida tão vazia

Nas grandes cidades de um país tão violento
Os muros e as grades nos protegem de quase tudo
Mas o quase tudo quase sempre é quase nada
E nada nos protege de uma vida sem sentido

Um dia super, uma noite super, uma vida superficial
Entre as sombras , entre as sobras da nossa escassez
Um dia super, uma noite super, uma vida superficial
Entre cobras, entre escombros da nossa solidez

Nas grandes cidades de um país tão irreal
Os muros e as grades nos protegem de nosso próprio mal
Levamos uma vida que não nos leva a nada
Levamos muito tempo pra descobrir
Que não é por aí..
. não é por nada não
Não, não pode ser… é claro que não é, será?

Meninos de rua, delírios de ruínas
Violência nua e crua, verdade clandestina
Delírios de ruína, delitos e delícias
A violência travestida faz seu trottoir
Em armas de brinquedo, medo de brincar
Em anúncios luminosos, lâminas de barbear

(solidez)

Viver assim é um absurdo como outro qualquer
Como tentar o suicídio ou amar uma mulher
Viver assim é um absurdo como outro qualquer
Como lutar pelo poder
Lutar como puder

Então… gosto muito desta música pois na minha opinião, ela é um tapa na cara desta sociedade pós moderna… Lembrando que cada pessoa que vê uma obra, chega numa conclusão diferente, pois o ponto de vista é diferenciado. Portanto, a minha interpretação está longe de ser uma regra ou uma verdade, é somente minha interpretação… Vamos as partes em negrito:

As primeiras partes em negrito falam da vida sem sentido, onde buscando nos proteger do mundo, nos isolando, perdemos a força de mudá-lo, de lutar para que ele seja melhor… Fala de como acabamos transformando o mundo em algo superficial, artificial, com cada um preocupando-se com a sua realidade, ignorando a realidade do todo… Mostra como essa perda do link com a realidade total, faz com que nos tornemos cada vez mais fúteis… Tô cansado de ver em orkut e flogs, blogs, pessoas falando de acontecimentos  banais como se fossem super, hiper, mega qualquer coisa…

A violência é nua e crua, mas é uma verdade clandestina… abafada, omitida, relegada as pessoas que realmente vivem em meio a violencia total, como moradores de áreas dominadas pelo crime…

E a violência travestida? É a violência indetectável, a mais perigosa… Armas de brinquedo, medo de brincar… Não seria isso a questão da violência ser tão grande, que deve ser trazida ao universo das crianças; afinal elas podem se acostumar com armas de brinquedo, para quando chegarem a idade adulta, não acharem armas de verdade tão assustadoras… seria trazer a idéia da conformidade para esses futuros adultos… ou então não seria a simples tragédia de trazer a violência ao mundo infantil, através de brincadeiras inspiradas na violência…. E outra violência… Em anúncios luminosos, lâminas de barbear… Em meio ao caos da violência, o destaque é para o consumismo… Sempre atraente, sedutor, e demonstrador de status… Superficialidade, e artificialidade novamente…

Viver assim é um absurdo… Constatação… Como também é um absurdo para muitos, tentar lutar pelo poder, lutar como puder… Afinal, a idéia de se conformar, de criar realidades artificiais paralelas, está tão difundida, que é quase impossível mobilizar o povo para qualquer luta… É mais fácil se acomodar, se esconder atrás das suas grades, construir sua própria realidade, esquecendo-se dos outros, do mundo… Ó mundo cruel…

A responsabilidade é de todos nós… Na nossa democracia o poder não emana do povo… Simplesmente porque ele se omite, e se conforma… Até onde isso pode chegar?

Abraços galera…

5 Respostas para “Falando sobre cotidiano denovo…”


  1. 1 Vinicius Cabral Agosto 27, 2007 às 1:57 pm

    Fala, Fred!

    Seguinte… sou fã dos Engenheiros, tu sabe disso, e sou fã justamente por isso: são várias músicas que dão tapas na cara…

    Agora, mudando de assunto:

    O blog tá lá, depois tu dá uma olhada. Seguinte: essa semana, vamos divulgar no orkut, na História-UGB, na Historiadores – Sul Fluminense, e nas comunidades da UBM, FAA etc… enfim, vamos divulgar.

    Tô bolando um texto de divulgação-padrão, depois a gente sai divulgando. Amanhã a gente conversa melhor na facul, ok?

    Isso quer dizer que sábado e domingo já tem que ter um texto na fita, hein?

    Saudações Tricolores!

  2. 2 Vinicius Cabral Agosto 30, 2007 às 2:47 pm

    Fala, Fred!

    Já postei o 1º texto… dá uma olhada lá depois.

    Saudações!
    (Saci tem uma perna e dois braços, mas caiu de 4… hehehe)

  3. 3 Ítalo de Paula Pinto Agosto 31, 2007 às 1:39 pm

    Assinei seu blog, mas não estou recebendo suas atualizações.

    Seu blog está muito bom Fred. Veja, acabo de lhe citar em um artigo meu. Peço que dê uma olhada para ver o que fazer.

    Forte abraço.

  4. 4 Bruno Ayres Setembro 5, 2007 às 12:03 am

    Grande Fred!

    Concordo plenamente com a sua dissertação sobre a nossa sociedade. Você foi perfeito. Parabéns!

  5. 5 Vinicius Cabral Outubro 5, 2007 às 5:36 pm

    O bicho-preguiça, presta atenção na frase prá camisa do CA:

    Mas não basta ser livre, ser forte, aguerrido e bravo.
    O povo que não tem virtude, acaba por ser escravo.

    Amém! hehehehe


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